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“HOMENS DE FERRO, MULHERES DE PEDRA”: Resistências e Readaptações identitárias de africanos escravizados. Do hinterland de Benguela aos vales dos rios Paraguai-Guaporé e América espanhola – fugas, quilombos e conspirações urbanas (1720-1809)   

Este estudo investiga o percurso e trocas culturais efetuadas por africanos escravizados entre os anos de 1720 a 1809, desde o hinterland do porto de Benguela à fuga e re-começo da vida nos quilombos formados no vale do Guaporé ou nas cidades castelhanas da América Espanhola. Para tanto, inicialmente analisamos os arranjos políticos e comerciais, bem como a atuação dos diferentes agentes históricos, que possibilitaram a realização do comércio escravo na região. Nesse contexto não somente alianças foram firmadas entre chefes locais e agentes da coroa lusitana, como ocorreram situações de enfrentamento direto, tomada de navios negreiros ou confrontos nas instâncias judiciais. Se por um lado o comércio escravo avançou paulatinamente às áreas interioranas, sobretudo, por meios militares, por outro lado, o mesmo só chegou a ser viável dentro das estruturas comerciais africanas, como as caravanas. Após a longa travessia do Atlântico e comercialização nas cidades litorâneas da América portuguesa, homens e mulheres de ferro seriam submetidos a uma nova e tortuosa viagem rumo ao derradeiro destino, às minas do Cuiabá e Mato Grosso. Por meio de uma rota que intercalava caminhos fluviais e terrestres, expostos a numerosos perigos, eram embarcados aos confins da América portuguesa, onde seriam empregados na mineração intercalada com atividades agrícolas e domésticas. Contudo, contrariando as expectativas senhoriais, parcela considerável se evadiu e tentou um re-começo para além dos grilhões, que nas fronteiras entre as coroas ibéricas poderia se dar na formação de quilombos, adesão a sociedades indígenas ou nas cidades espanholas fronteiriças. Destacadamente investigamos a composição e longevidade do chamado “Quilombo Grande”, liderado pela africana Teresa de Benguela. Tal como uma “hidra”, o seguinte espaço renasceu após incursões e se configurou em um local de trocas e reelaborações culturais, principalmente entre indígenas e africanos. Do outro lado da fronteira, onde encerramos nosso itinerário, analisamos a tentativa de uma rebelião protagonizada pela aliança entre negros fugidos da América portuguesa, escravos da América espanhola e indígenas contra as autoridades políticas de Santa Cruz de La Sierra, em meio ao alvorecer das guerras de independência. Em suma, em todos os pontos do itinerário estamos diante de casos em que indivíduos para manterem acesas as esperanças por uma vida possível além do cativeiro, resistiram, se adaptaram identitariamente, pegaram em armas, fugiram e conspiraram.

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