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O PODER MÉDICO DE “PENETRAR” E O PODER JURÍDICO DE “INFAMAR”: UM CRIME DE DEFLORAMENTO EM CUIABÁ (1920-1940)   

A trama discursiva desta pesquisa tem como ponto de partida narrar a experiência de Aldair França, cuja trajetória causou desordem, tumulto e excitações na cidade de Cuiabá na década de 1930. Focalizamos, a partir desse caso, as redes invisíveis inscritas substancialmente no procedimento técnico do processo de crime sexual que trouxe à luz essa personagem, bem como o regime de verdades e os discursos de saber-poder que circularam entre as décadas de 1920 e 1940. Toda a sua movimentação é atravessada por uma linha tênue entre o discurso jurídico e o saber médico, que pretendiam controlar seu corpo, sua sexualidade, disciplinar suas práticas cotidianas, seus gestos, desvendar seus segredos, seus desejos. É preciso, também, evidenciar o jogo de metades que perpassa o processo criminal do começo ao fim, e que, aos poucos, ajustavam as peças uma às outras colhidas no desenrolar desse drama policial, na tentativa de recompor o cenário do crime. Por último, procuramos dar visibilidade ao próprio acontecimento que, em si, já causa uma tensão entre as leis do Estado e a instituição familiar, nos revelando pistas sobre a abertura de mundos possíveis. Embrenhados nessa proposta e inspirados por Michel Foucault, pretendemos evidenciar os processos de subjetivação circunscritos no processo de crime sexual que identificou, examinou, classificou, catalogou essa personagem feminina.

Palavras-chave: Relações de poder. Acontecimento. Defloramento. Jogo de verdades.

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