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A LUTA PELA TERRA MARÃIWATSÉDÉ: POVO XAVANTE, AGROPECUÁRIA SUIÁ MISSÚ, POSSEIROS E GRILEIROS DO POSTO DA MATA EM DISPUTA (1960-2012).   

O Araguaia mato-grossense fez parte da Amazônia Legal e concebida como área de expansão econômica sobre territórios considerados “vazios” por parte do planejamento de governos, sobretudo no período de Regime Militar. No entanto, sendo fronteira o Araguaia mato-grossense é o lugar de alteridade e conflito entre populações existentes que tinham domínio da terra de trabalho e migrantes que passam a tomar posse e adquirir na forma de propriedades ou terra de negócio. O encontro de diferentes agentes sócio-históricos como indígenas, posseiros, peões, grileiros, empresários, fazendeiros, comerciantes, militantes e outros e que são protagonistas da luta pela terra. Nessa região, o caso analisado envolve uma parcela dos indígenas Xavante e posseiros da Suiá e seus aliados na luta pela terra Marãiwatsédé. A origem do conflito remete-se ao processo de compra de parte do território, no qual viviam grupos da etnia Xavante, de 695 mil ha pela empresa agropecuária Suiá Missú em meados da década de 1960. A consolidação do empreendimento agropecuário resulta na deportação dos Xavante em 1966. O ano de 1992 é o ano dos grandes acontecimentos: ocorreu a devolução da área remanescente de 195 mil ha por parte da empresa estatal italiana ENI Agip Petroli aos Xavante durante a Rio 92, e no mesmo ano, políticos locais organizaram e incentivaram uma invasão da área remanescente da Suiá Missú, atraindo tanto posseiros interessados na terra para morar e plantar, como de grileiros e comerciantes de terras. A Agip do Brasil, filial brasileira da empresa, discordou da devolução e criou estratégias para vender a área remanescente da então agropecuária Suiá para que supostamente fosse realizada uma regularização fundiária através de compra de títulos ou do direito de posse. Ainda em 1992, um laudo antropológico delimitou a área que seria devolvida aos Xavante, tornou-se um instrumento de luta por ser produzido a partir da versão da história dos indígenas, através da memória do lugar como arma na luta pela terra de Marãiwatsédé. Paralelamente, os posseiros da Suiá adotaram como local de resistência o distrito do Posto da Mata, se organizaram politicamente por meio de uma associação denominada APROSUM e intensificaram a luta através de batalhas jurídicas, batalha de peritos e a batalha midiática, que” forneceram “armas” e possibilitaram a construção histórica e social de um acontecimento monstro que foi a desintrusão ocorrida em 2012. Os principais acontecimentos que entrecruzam o processo de luta pela terra de Marãiwatsédé tem como sistema de referência a concepção de terra como propriedade privada destinada ao aproveitamento econômico e fonte de desenvolvimento regional. Essa referência aparece em discursos na reunião da invasão em 1992 e nas narrativas da mídia local na desintrusão de 2012. A devolução da terra aos Xavante em 1992 e a desintrusão dos posseiros em 2012 tem como base a concepção de território tradicionalmente ocupado colocados na Constituição de 1988. Portanto, a luta pela terra Marãiwatsédé é uma luta entre diferentes concepções de uso da terra.

Palavras Chaves: Luta pela terra, Posseiros, Xavante.

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