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AS MISSIVAS DE JANE VANINI E AS DISPUTAS PELA MEMÓRIA   

A presente pesquisa tem como objeto de estudo a relação entre a trajetória de uma militante política de esquerda refugiada e, posteriormente, assassinada pelo regime militar chileno e o contexto de repressão vigente na América Latina. Parte significativa do corpus documental utilizado na presente pesquisa tem como fio condutor as cartas escritas por Jane Vanini quando esta vivia o drama da clandestinidade no Chile entre 1972 a 1974. Esta pesquisa busca pensar Jane Vanini, não só como personagem para “explicar o todo” ou grupo da militância, trata-se, portanto, de apresentar a sua singularidade, se impondo entre as veredas do período ditatorial brasileiro e a constituição da ditadura chilena, brechas estas criadas por ela mesma, através da prática escriturária de suas cartas, quando a militância supunha que o engajamento político destituía esses de vida privada, obrigando-os a “apagar” os seus rastros. A investigação apresentará a permanente tensão entre aspectos de natureza pública vinculados à militância de Jane Vanini no Movimento de Libertação Popular- MOLIPO, quando estava no Brasil e, posteriormente, no Movimiento de Isquierda Revolucionário (MIR) quando se exila com seu primeiro marido no Chile e, uma dimensão privada e coloquial de sua vida. Na mesma análise é possível encontrar referências onde à autora das cartas, distanciada dessas temáticas familiares, evidenciava um esforço de constituir uma imagem forte, de guerrilheira e jovem engajada num projeto de transformar o mundo esforçando-se na constituição da identidade pela qual a mesma ficou conhecida no Chile, qual seja a da militante Gabriela, que em suas epístolas empenhava-se para convencer seus familiares da adequação e necessidade de sua escolha, sempre pautada numa análise rigorosa do mundo.

Palavras-chave: Jane Vanini, Cartas, Militância.

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